Muito Além de Rodas e motores

Eloy Gogliano e a importância do Centauro Motor Clube para o automobilismo nacional

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Eloy Gogliano, apaixonado por duas e quatro rodas, fundou o Centauro Motor Clube, incentivou as corridas de motos e de carros, e, com isso promoveu e incentivou a amizade entre pilotos e profissionais do automobilismo e do motociclismo brasileiros.

Seu reduto era na Avenida São João, na região central da capital paulista, onde se concentravam as principais lojas de motocicletas e oficinas de manutenção desses veículos de duas rodas, e de seus proprietários.

Nas conversas com os frequentadores, surgiram ideias que motivaram Eloy Gogliano a fundar o Centauro Moto Clube para a organização de corridas e passeios de motocicletas. Também fundou a Federação Paulista de Motociclismo e a entidade nacional desse esporte, e, ainda, participou da fundação da Federação Paulista de Automobilismo. Com o passar dos anos, assumiu cargos em entidades internacionais, como o de diretor da Federação Internacional de Motociclismo

A região da Avenida São João também concentrava, depois do anos de 1950, as oficinas de automóveis, com especialistas em diferentes áreas. Naquela época o Brasil deu início à produção de veículos, o que aumentou a necessidade de serviços de manutenção.

Amante também dos veículos de quatro rodas, com o objetivo de incentivar a prática dos esportes a motor e não apenas de duas rodas, Eloy acrescentou um “r” à palavra moto e ampliou as atividades do clube, para os praticantes do motociclismo e do automobilismo. Assim, estabeleceu endereço em um edifício que se transformou em ponto de encontro para os apreciadores dos esportes motorizados de São Paulo e do Brasil.

Eloy Gogliano atraiu a frequência do radialista Wilson Fittipaldi, ativo profissional e de grandes ideais. Juntos, criaram corridas em São Paulo, com destaque para a Mil Milhas Brasileiras, que se tornou a mais famosa do País, sempre com recordes de participantes.

Com Wilson Fittipaldi, além das corridas, o Centauro Motor Clube tornou-se um grande incentivador de ralis, especialmente os de regularidade, nos quais Wilson sempre participou com a esposa Juze, levando também os pequenos filhos, Wilson e Emerson, sem imaginar que alcançariam tanto êxito.

Além de incentivar a prática de uma nova modalidade esportiva e também turística e de entretenimento, os ralis de regularidade eram uma prática segura, com velocidade dentro dos limites previstos na legislação de trânsito e se constituíam em agradáveis passeios que promoviam o relacionamento entre os participantes, e o surgimento de novas amizades.

Os ralis de regularidade eram realizados por profissionais das áreas de engenharia e de imprensa da indústria automobilística que descobriram nessa prática uma proveitosa oportunidade de relacionamento profissional e de promoção das marcas participantes com a instituição de prêmios aos principais classificados.

Na realidade, os ralis de regularidade funcionavam como uma escola de aperfeiçoamento dos motoristas porque o regulamento determinava as velocidades corretas a serem impostas com tempo estabelecido nos roteiros que eram entregues a cada dupla participante antes da largada.

Sinto saudade desses ralis de regularidade do Centauro Motor Clube, que também se transformaram em eventos promocionais muito usados pelas fábricas de automóveis.

Elas recorriam ao Centauro Motor Clube para a organização de eventos que tinham a finalidade de proporcionar aos jornalistas a prática de um esporte que funcionavam como escola de uma modalidade profissional e, ao mesmo tempo, em um eficiente instrumento de marketing.

Eu participei de vários, utilizando, na maioria das vezes, o meu carro, sem nenhuma mudança ou preparação.

A Volkswagen foi a empresa que mais patrocinou os ralis de regularidade, no tempo em que Reginaldo Finotti foi o chefe de imprensa. O jornalista Roberto Rocha, gerente de imprensa da Chrysler, foi o maior vencedor, por utilizar avançados equipamentos de navegação para a época. Nos anos de 1970, a Ford foi a equipe que mais se dedicou aos ralis, mas como competição, com a famosa e vitoriosa equipe Mercantil Finasa/Ford, chefiada por Luiz Antonio Grecco.

Sinceramente, com a morte de Eloy Gogliano, no dia 10 de novembro de 1997, aos 83 anos, os ralis amadores deixaram de ser realizados e as fábricas brasileiras perderam um importante instrumento promocional.

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