Dias de Fórmula 1 | Vettel volta ao campeonato em Spa

Daniel Dias

Daniel Dias

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Para reverter a improvável pole position conquistada pelo inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, na chuva no sábado, o alemão Sebastian Vettel, da Ferrari, sabia que teria de jogar tudo no final da grande reta seguinte à Eau Rouge. E foi exatamente isso que aconteceu no último domingo, logo depois da largada do GP da Bélgica em Spa-Francorchamps. Vettel contornou a La Source – o grampo da primeira curva – praticamente ao lado do rival, pegou o vácuo da Mercedes já na Eau Rouge e ultrapassou o líder do campeonato antes da chicane da Les Combes. Com a vitória, uma semana antes da prova de Monza, a casa da Ferrari, o alemão diminuiu a diferença no Mundial de Fórmula-1 de 24 para 17 pontos.

Esse foi o resumo que deu a vitória para Vettel ainda na primeira volta. Mas a largada em Spa teve um momento dramático, quando o alemão Nico Hulkenberg, da Renault, errou o ponto de freada da Source e bateu forte na traseira do espanhol Fernando Alonso. Com isso, a McLaren do bicampeão levantou voo e caiu sobre a Sauber do monegasco Charles Leclerc, provocando em sequência a batida no australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull, que se chocou com a parte de trás da Ferrari do finlandês Kimi Raikkonen, um dos favoritos para a vitória em Spa. O australiano e o finlandês acabariam indo aos boxes, no entanto, tiveram de desistir, com Raikkonen saindo mais cedo por causa da traseira do carro seriamente avariada.

O acidente da largada serviu também para deixar evidente a eficácia do Halo, aquela peça horrorosa, porém, necessária, colocada sobre a cabeça do piloto. As imagens da TV mostraram o Halo da Sauber de Leclerc toda raspada, sugerindo que o toque das rodas de Alonso poderia ter sido contra a cabeça da jovem promessa da F-1. Pronto! Seria muito bom que a partir de agora o mundo da F-1 não voltasse a fazer criticas à implantação dessa importante peça de segurança.

A décima terça etapa do Mundial – e primeira após as férias do verão europeu – teve bons momentos, principalmente com as recuperações do holandês Max Verstappen, da Red Bull, terceiro colocado no final, e do finlandês Valtteri Bottas, o quarto, depois que o segundo piloto da Mercedes tomou uma punição no grid por ter peças do seu motor trocadas na sexta-feira. Entretanto, a corrida no sempre fantástico Spa deixou a desejar em termos de emoções na briga pelo primeiro lugar, limitadas às ações da volta inicial. Como não poderia ser diferente, Vettel estava muito feliz com a comprovação do atual melhor momento do carro da Ferrari sobre a Mercedes, e comentou sua conquista:

– Tinha de recuperar o tempo perdido no sábado na largada. O Lewis me fechou um pouco na pimeira curva mas eu sabia que a manobra mais importante viria a seguir. Na reta, tirei do vácuo dele na hora certa e pude ir embora. No ano passado, foi diferente, porque tirei de trás do carro dele na hora errada e não pude ultrapassar.

Vettel estava recordando a prova de Spa em 2017, talvez, a mais disputada da temporada, pois os dois eternos rivais fizeram todas as 44 voltas da corrida colados um ao outro, com Hamilton levando a melhor. Por seu lado, o tetracampeão inglês se conformou neste domingo com a perda da primeira posição e continuou exaltando sua façanha no treino de classificação:

– Não tinha muito o que fazer depois que o Sebastian passou. Inclusive chamou a atenção que eu parecia estar parado na reta de tão rápido como ele passou. Já tinha feito um milagre no sábado, e seria pouco provável que poderia fazer outro na prova.

O GP da Bélgica teve ainda a boa atuação dos carros da ex-Force India e atual Racing Point, depois que o canadense Lawrence Stroll, pai de Lance Stroll, da Williams,  comprou a equipe. O mexicano Sergio Perez terminou em quinto e o francês Esteban Ocon, em sexto. Na dança das cadeiras, Perez deve permanecer, para correr ao lado de Stroll a partir do GP de Cingapura, enquanto Ocon pode ir para o lugar do belga Stoffel Vandoorne na McLaren, formando dupla com Alonso até o final do ano, quando o espanhol se aposentará da F-1.

Com um carro superior desde o GP da Inglaterra, a Ferrari tem todas as condições de dar outro “foguete” para Vettel no velocíssimo circuito de Monza. Em uma prova normal, sem incidentes, não tem como Hamilton combater os carros vermelhos nas grandes retas do circuito italiano. E a coisa não se limita à força do motor. Enquanto a Mercedes meio que estacionou nos acertos de sua máquina durante a temporada, a Ferrari projetou um carro inteiramente novo para este ano. A SF71H, o bólido italiano, é um carro em desenvolvimento, em constante evolução. Já Hamilton tem a seu favor outras armas, também importantes: sua vantagem no campeonato, o talento incontestável de um dos maiores pilotos da história da F-1 e um carro ainda confiável. Monza será de arrepiar!

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