Dias de Fórmula 1 | Hamilton se vinga na Alemanha

Daniel Dias

Daniel Dias

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O inglês Lewis Hamilton devolveu no último domingo (22) a derrota sofrida em casa para Sebastian Vettel, há duas semanas, vencendo o GP da Alemanha no quintal do seu maior rival, que bateu o carro na pista úmida de Hockenheim quando liderava com tranquilidade. Depois de ter errado no treino de classificação no sábado e ter largado na décima quarta posição, Hamilton contou com seu talento para recuperar posições e com uma incrível sorte ao ver Vettel cometendo um erro bobo, já na parte final da décima primeira etapa do Mundial de Fórmula-1. Sorte ou azar sempre fizeram parte do automobilismo, assim como os erros, mesmo dos pilotos de ponta. Até Ayrton Senna perdeu uma vitória certa no GP de Mônaco de 88 batendo na entrada do Túnel quando tinha uma vantagem de quase um minuto sobre seu companheiro de McLaren Alain Prost. Vettel não deixará de ser um dos melhores pilotos da história por isso. No final da corrida, o tetracampeão alemão chamou para si toda a culpa pela escorregada e consequente batida na proteção de pneus dentro do Estádio de Hockenheim.

– Foi um erro bobo. Estraguei sozinho um fim de semana que estava sendo perfeito.

O GP da Alemanha teve ingredientes próprios de pilotos vencedores que largam atrás no pelotão e por causa do risco permanente da chuva. Hamilton naturalmente foi ganhando posições até chegar lá na frente. Para os puristas que não acreditam em ordens de equipe, a prova de domingo mostrou claramente dois momentos envolvendo as principais inimigas. No primeiro, o finlandês Kimi Raikkonen trocou os pneus ultramacios (roxos) pelos macios (amarelos) mais cedo e passou a imprimir um ritmo forte. Quando Vettel parou nos boxes, voltou à pista atrás de seu companheiro de Ferrari.

Com pneus em melhores condições, o então líder do campeonato pediu à equipe para superar o finlandês, pois se considerava mais rápido. A ordem veio e Raikkonen cedeu a primeira posição. No segundo momento, já no final da prova, após a relargada (a entrada do safety car veio por causa da batida de Vettel), o finlandês Valtteri Bottas atacou duramente o companheiro Hamilton, brigando pelo primeiro lugar. Em seguida, a equipe Mercedes ordenou que o finlandês mantivesse a segunda colocação, assegurando a vitória de Hamilton, agora líder do campeonato com 17 pontos à frente de Vettel. Bottas terminou a corrida em segundo e Raikkonen, em terceiro.

Lewis Hamilton vence na Alemanha

O Mundial volta à cena já no próximo domingo, com o GP da Hungria, última “estação” antes da parada de um mês das férias do verão europeu. O mais certo seria a F-1 ter feito esse recesso durante a Copa do Mundo, para não dividir as atenções com o futebol. Em Hungaroring, o favoritismo deve ser da Red Bull, com o australiano Daniel Ricciardo e holandês Max Verstappen, quarto colocado no último domingo, enquanto seu companheiro, que largou no final grid por conta da troca de componentes no motor Renault, antes dos treinos livres, ficou pelo caminho justamente por quebra na unidade de potência. Os frequentes problemas mecânicos, aliás, serão os maiores inimigos da equipe austríaca na Hungria.

A tentativa de recuperação de Vettel no campeonato será buscada em uma pista que foi toda favorável à Ferrari nos dois últimos anos, nos quais o carro da equipe italiana tinha um entre-eixos menor, mais apropriado para o traçado travado de Hungaroring. Mesmo assim, a escuderia italiana brigará pela vitória na décima segunda etapa da temporada porque o bólido deste ano se comporta bem em qualquer tipo de pista, pois é um projeto mais equilibrado. Os próprios dirigentes da Mercedes reconhecem que a Ferrari é o carro a ser batido no momento.

Independentemente do azar de Vettel em Hungaroring, Hamilton conseguiu reverter uma situação severamente desfavorável com uma atuação de luxo, chegando a sua vitória de número 66. Com apliques de trancinhas no cabelo, o tetracampeão inglês vibrou muito, mas respeitou os torcedores de Vettel na comemoração. Por curiosidade, a plateia deixou clara sua preferência pela Mercedes – equipe da casa – e não pelo piloto alemão. Quando Vettel bateu, a maior parte da torcida presente ao circuito comemorou intensamente a infelicidade de seu conterrâneo como se fosse um gol.

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