Dias de Fórmula 1 | A volta do GP da França

Daniel Dias

No circuito de Paul Ricard, elogiado e criticado pelos pilotos, Lewis Hamilton faz uma prova tranquila e recupera a liderança do Mundial de Fórmula-1

Em meio à Copa do Mundo, a Fórmula-1 faz três provas em sequência. A primeira foi no domingo passado, trazendo o GP da França de volta ao calendário após 10 anos – com a vitória e a recuperação da liderança do campeonato de Lewis Hamilton, da Mercedes, – e o velho circuito de Paul Ricard, reformado há poucos anos por Bernie Ecclestone, o antigo chefão do circo. As outras duas corridas serão disputadas no próximo fim de semana, em Zeltweg, na Áustria, e na seguinte, em Silverstone, na Inglaterra, as três favoráveis à equipe prateada alemã.

Largada do Grande Prêmio da França de Fórmula 1 2018. Foto: Divulgação

O retorno da etapa francesa levou uma legião de torcedores, próximas de 70 mil pessoas apenas no domingo, mesmo tendo os jogos da Copa passando pela TV. Já Paul Ricard foi aprovado por todos, com algumas restrições, a principal delas a saída criminosa dos boxes, localizada justamente na tomada da curva 1. A outra alteração teria de ser a retirada das duas chicanes da reta do Mistral, especialmente a do meio do famoso trecho  de 1,7 quilômetro de extensão. Para quem não sabe, Mistral é o nome do vento que sopra nesse setor da pista francesa. Antigamente, devido à reta ser tão longa, os carros percorriam mudando de direção várias vezes para não dar o vácuo para quem vinha atrás. Era uma belo serpenteado, quase um balé.

A mudança da saída dos boxes deve ser feita sem maiores problemas para 2019. Quanto às mexidas na reta do Mistral, é mais complicado e, digamos, filosófico. Com as grandes velocidades dos atuais carros, a curva que vem após a longa reta é feita em aceleração máxima, perto dos 300 km/h. Se a Mistral fosse aberta totalmente, teria de ser adotada no seu final uma curva fechada, tipo grampo, o que aumentaria a segurança dos pilotos e as oportunidades de ultrapassagens.

Na curva subsequente à Mistral, o italiano Elio de Angelis morreu em um teste particular da Brabham em 1986. No final da reta, o aerofólio traseiro se soltou deixando o piloto como “passageiro”. A Brabham bateu violentamente na barreira de proteção e pegou fogo. O italiano, de 28 anos, não morreu em consequência do choque, pois teve apenas uma luxação na clavícula e queimadura nas costas. A tragédia ocorreu porque não havia equipe de segurança no autódromo, nem bombeiros. De Angelis não resistiu por ter inalado uma grande quantidade de fumaça. Logo depois, o circuito longo – Paul Ricard conta com mais de cem traçados diferentes – foi fechado.

A prova de domingo teve um destino alterado na primeira curva logo após a largada. Colocado na terceira posição no grid – atrás de Hamilton e Valtteri Bottas, ambos da Mercedes -, Sebastian Vettel, da Ferrari, até então líder do campeonato com um ponto à frente, tentou passar pelo menos um dos carros da Flecha de Prata. A “vítima” escolhida foi Bottas. Entretanto, o tetracampeão alemão perdeu o ponto de freada e se chocou  com a traseira da Mercedes de número 77. Vettel ainda bateu em seguida em outro piloto e perdeu o bico do carro, enquanto Bottas teve um pneu traseiro furado. Ambos tiveram de voltar aos boxes.

Com o prejuízo do incidente, Vettel voltou à corrida e fez uma prova de recuperação fantástica (o mesmo não aconteceu com Bottas), terminando em quinto lugar, atrás de Hamilton, Max Verstappen, da Red Bull, Kimi Raikkonen, da Ferrari, e Daniel Ricciardo, da Red Bull. A posição final de Vettel poderia ter sido ainda melhor não fosse uma punição de 5 segundos sofrida pela colisão da largada. Punição, aliás, totalmente justa. Em entrevista depois da bandeirada, o primeiro piloto da Ferrari reconheceu o erro cometido e disse que tinha “pedido mil desculpas” para Bottas.

Hamilton comandou a oitava etapa do Mundial desde os treinos livres da sexta-feira, conquistando a pole position no sábado. Com uma largada segura, o tetracampeão foi embora e assegurou sua terceira vitória no ano e a recuperação da liderança da tabela de pontuação (14 pontos sobre Vettel).

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