Dias de Fórmula 1 | A importância do palhaço no circo

Daniel Dias

Simbolizado pela falta de imprevisibilidade, as duas últimas provas assustam o circo pela chatice

Por Daniel Dias (www.diasaovolante.com)

De todas as atrações de um circo, com coreografias e malabarismos todos perfeitos, o que faz a diferença é o palhaço. Nas duas últimas provas da Fórmula-1 – Mônaco, com a vitória do australiano Daniel Ricciardo, e Canadá, no último domingo, conquistado pelo alemão Sebastian Vettel -, o circo mais famoso do mundo assistiu enfadonhamente a duas corridas das mais chatas já vistas na principal categoria do automobilismo. Com tudo acontecendo perfeitamente, faltou o palhaço, simbolizado, no caso, pela falta do imponderável.

A temporada está mesmo muito estranha. Até a quarta etapa, no Azerbaijão, a imprevisibilidade vinda das diferentes táticas de uso dos pneus, os aficionados pela F-1 acompanhavam as provas com respiração suspensa. Rigorosamente, tudo poderia ocorrer nas equipes de ponta e algumas trapalhadas, em especial vindas do “bobo da corte” de plantão, o holandês Max Verstappen.

Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Foto: Divulgação

Na quinta etapa, na Espanha, o inglês Lewis Hamilton recolocou o manto de invencibilidade da Mercedes, surgido em 2014, e deu uma lavada na concorrência, fazendo todos tremerem na base por um novo domínio da Flecha de Prata. Entretanto, para o “bem geral da nação”, com exceção à da Alemanha, aquilo foi aparentemente ocasional.

E aí o palhaço resolveu sair de férias! A metáfora está presente na durabilidade de todos os tipos de pneus colocados à disposição pela Pirelli, inclusive os mais aderentes, os três com alcunha de “heróis” – supermacios, ultramacios e hipermacios. Além de complicar a compreensão do público e da imprensa que acompanha as corridas, os compostos não fazem mais a menor diferença quanto ao seu uso. Como resultado imediato, as provas tornaram-se previsíveis.

Independentemente de qualquer desses aspectos, Vettel chegou a sua terceira vitória no ano – ante duas de Hamilton e duas de Ricciardo – e reassumiu a liderança do Mundial, com um ponto à frente do piloto inglês da Mercedes.

Anunciada bem antes do começo do campeonato, a “peleia” pelo título ficará mesmo entre os dois tetracampeões, na saga de Vettel e Hamilton para chegar às cinco conquistas do argentino Juan Manuel Fangio, ou seja, uma façanha. Mais do que isso, só os sete títulos do alemão Michael Schumacher, que ainda luta pela vida após seu acidente em uma pista amadora de esqui em dezembro de 2013.

Com exatamente um terço das 21 etapas percorridas na temporada, se analisando apenas a parte técnica dos equipamentos de Ferrari e Mercedes, pode-se notar uma paridade entre as duas equipes nascida de motivos diferentes. Enquanto a escuderia alemã tem a experiência e a força de um motor muito bem ajustado desde 2014, os italianos têm um carro inteiramente novo.

Depois de perdido o campeonato do ano passado para os alemães, a Ferrari encomendou para sua jovem equipe de engenheiros, toda formada em Maranello, um bólido “partido do zero”. Por isso, a turma de campo, a que vai às corridas, é capaz de mudar o jogo eventualmente, como aconteceu no Canadá.

Reconhecido pelo próprio Vettel após a bandeirada final, “o carro simplesmente não andava nos treinos de sexta-feira. No entanto, desde o início do treino de classificação e na prova, o carro foi melhorando sempre”. A margem de mudança da Ferrari é maior, e isso pode ser decisivo logo adiante.

Mas para quem gosta de circo, a volta do palhaço é bem-vinda!

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One Response to Dias de Fórmula 1 | A importância do palhaço no circo

  1. Eduardo Oliveira disse:

    Puxa, só o Max?
    Este ano o Grojean também ajudou no picadeiro. Agora parece meio tímido.
    E a falta que faz um Pastor MALdonado.

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