Dias de Fórmula 1 | Ricciardo dá as cartas em Monte Carlo

Daniel Dias

Australiano e Red Bull comandam todas as ações no Principado e ganham pela segunda vez no ano

Por Daniel Dias (www.diasaovolante.com)

Desde o início da Era Mercedes, em 2014, a Fórmula-1 não tinha visto um domínio tão grande de um piloto como o do australiano Daniel Ricciardo no GP de Mônaco, disputado no último domingo. Já nos treinos livres de quinta-feira, todo o circo ficou com a certeza de que o sorridente piloto de 28 anos lideraria todas as sessões da sexta etapa do campeonato e receberia o trofeu de vencedor das mãos do Príncipe Albert.

E não deu outra! Para sublinhar ainda mais a atuação de Ricciardo a bordo de uma Red Bull muito bem acertada para as apertadas ruas de Monte Carlo, seu companheiro de equipe Max Verstappen contrastava derramando o leite no último treino livre, ficando fora da briga pela pole position, um lugar essencial para quem deseja ganhar a principal taça da prova monegasca.

Com seis etapas realizadas em 2018, Ricciardo se colocou ao lado de Lewis Hamilton e de Sebastian Vettel como vencedor de duas provas. A outra do australiano foi em Xangai, na China. No entanto, ao contrário da exibição arrebatadora do australiano em Monte Carlo, aquela corrida acabou caindo no seu colo devido a uma brilhante tática proposta pelos comandantes da Red Bull e com Verstappen agindo como bandido ao bater no favorito Vettel, que acabou caindo para a oitava posição.

A vitória de Ricciardo em Mônaco também foi boa para barrar o avanço de Hamilton e da Mercedes recomeçado no GP da Espanha, há mais de duas semanas, quando o tetracampeão voltou a mostrar um filme bem conhecido dos aficionados pela F-1 e que, com exceção do próprio piloto inglês e da equipe alemã, ninguém mais quer assistir. Além disso, a sétima etapa ocorrerá em Montreal, uma pista em que Hamilton praticamente não tem concorrente.

Outra leitura igualmente interessante na conquista de Ricciardo em Monte Carlo é a confirmação de qual equipe tem o melhor carro da temporada. O traçado de Mônaco privilegia o bólido mais equilibrado e bem concebido, jogando a força do motor para um segundo plano. Neste ano, o carro da Red Bull foi 100% projetado pelo mago da aerodinâmica Adrian Newey. Essa vantagem se repetirá em pistas semelhantes à de Mônaco, como Hungaroring (Hungria) e Cingapura.

Talvez por isto, Ricciardo sossegue um pouco sua ânsia de ir para a Mercedes ou para a Ferrari em 2019. Fora Hamilton e Vettel, o australiano é atualmente o piloto mais valorizado de todo o grid, indo na contramão da trajetória acidentada do menino-prodígio Verstappen, o maior talento surgido na segunda década deste século na F-1.

O nome de Ricciardo pagou bem no célebre cassino de Monte de Carlo e na pista. Uma vitória deste tamanho no Principado costumava vir com o Rei de Mônaco, um tal de Ayrton Senna.

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