Conversa a motor | Problema na rebimboca da parafuseta? Aqui não!

Por Cecília França

Faço ou não faço cambagem? Uso ou não aditivo? Troco ou não os discos de freio?

Estas são dúvidas que muitos motoristas têm quanto à manutenção do carro, mas que acometem mais as mulheres em função do nosso distanciamento do tema “mecânica”. Por isso, termos comuns ao assunto nos soam altamente estranhos e o medo de sermos enganadas em oficinas e postos aumenta.

No último sábado, participei do curso de Mecânica Interativa para Mulheres (MIM) promovido pela Volkswagen na concessionária de Londrina (PR), a Cipasa, e pudemos tirar muitas dessas dúvidas. Mas o que mais me chamou a atenção foi o nível de desconfiança das 20 mulheres presentes em relação a profissionais do setor.

Muitas delas relataram experiências desabonadoras em postos de gasolina e oficinas mecânicas, por medo de estarem sendo enganadas quanto às recomendações dos profissionais. Uso de aditivo no radiador, troca de óleo do motor e do câmbio foram algumas das principais dúvidas.

O mecânico instrutor do curso não aliviou em nada o sentimento das participantes. Pelo contrário, endossou muitas das desconfianças, dizendo que certas recomendações não estão corretas, como completar o óleo do motor no posto. O problema não é fazer o serviço no posto, mas “completar”. O correto é esperar a quilometragem indicada e fazer a troca total do óleo.

Veja alguns depoimentos:

Base

O curso foi rápido e introdutório, mas serviu para apresentar às participantes as principais peças dos carros e suas funções. Velas e cabo de ignição deixaram de ser ilustres desconhecidos, bem como bicos injetores e amortecedores. Também recebemos dicas como: após o balanceamento, observar o chumbo na roda, se estiver novo, o serviço foi feito corretamente.

Quanto à cambagem, normalmente oferecida junto ao alinhamento e balanceamento, a orientação é não fazer, sob pena de danificar os amortecedores. (Depois tive a oportunidade de explicar para o meu marido o que é uma cambagem e, sim, me deu uma certa satisfação).

Confiança

Promovido por uma concessionária, o curso tinha o objetivo (off course) de defender as autorizadas. Ainda que mais caras, lá eles garantem: ninguém leva gato por lebre. Quando uma das participantes perguntou para o instrutor: “O que eu posso deixar fazerem no posto, então?” Ele respondeu: “Ver o depósito de água do para-brisas, que não causa dano nenhum” (aliás, pode sim usar um pouco de detergente neste reservatório).

Claro que nem todos os frentistas querem passar a perna nos motoristas e muitos mecânicos particulares são de confiança, não empurram trocas desnecessárias e trabalham com peças originais. Ainda assim, não custa nada saber um pouquinho mais para poder argumentar, né? Problema na rebimboca da farafuseta? Nunca mais!

Algumas dicas para facilitar a vida de motoristas – mulheres ou homens – e aumentar a vida útil do veículo:

– Não lave o motor do carro;

– Não use protetor para o motor do carro;

– Não deixe passarem óleo de mamona durante a lavagem do veículo, ele corrói as borrachas;

– Não faça cambagem. Se o ângulo das rodas estiver incorreto vá atrás da causa;

– Só se mede o óleo do motor com o carro frio e com a vareta na horizontal;

– Use aditivo no radiador na proporção 40/60 (60% água);

– Verifique o filtro do ar-condicionado a cada seis meses;

– Não se troca óleo de câmbio manual;

– Observe sempre o reservatório do óleo do freio, se estiver baixo pode indicar desgaste das pastilhas.

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