Dias de Fórmula 1 | O banho da Mercedes em Barcelona

Daniel Dias

Daniel Dias, do Blog da Fórmula 1 do site Dias ao Volante

O tetracampeão Lewis Hamilton deu uma lavada na concorrência no domingo passado, no circuito de Montmeló, em Barcelona, e venceu o GP da Espanha, quinta etapa do Mundial de Fórmula-1. Foi também a demonstração de que a Mercedes chegou ao nível técnico da Ferrari no ano. Na verdade, a equipe alemã mostrou bem mais do que isso.

Pole position no sábado, Hamilton deixou a Ferrari falando sozinha no domingo. Kimi Raikkonen teve problemas elétricos e abandonou no início e Sebastian Vettel esteve perdido o tempo inteiro na corrida, agravando sua situação com uma parada de box para troca de pneus inexplicável, na parte final da prova, caindo do segundo para o quarto lugar. Com isso, o alemão ficou atrás de Max Verstappen e perdeu  inclusive o pódio, composto por Hamilton, Valtteri Bottas e o piloto holandês da Red Bull, na primeira dobradinha da Flecha de Prata na temporada.

Como era esperado, a corrida em Montmeló foi um porre de cerveja barata. Há muito, mais precisamente desde 1991, ano da inauguração da pista espanhola, esse circuito já deveria ter sido banido do calendário. Espero que os norte-americanos da Liberty, os novos donos da F-1, enxerguem isso. E não se trata de coisa alguma contra os simpáticos espanhois. Pelas características de seu traçado, Montmeló é um circuito de testes, com ultrapassagens quase impossíveis. Não é por nada que a pista é o local dos treinos da pré-temporada.

De qualquer forma, Hamilton brilhou no domingo das mães, dando um banho na Ferrari e ficando com 95 pontos no campeonato ante os 78 pontos de Vettel. Até o GP de Mônaco, daqui a duas semanas, a Ferrari marcará consulta psicológica, pois de carro bicho-papão desta temporada, virou brinquedinho nas mãos da equipe alemã, de uma hora para outra.

O panorama visto no GP da Espanha, com uma Mercedes disparada na frente, tem também um outro lado, o dos aficionados pela principal categoria do automobilismo mundial. Depois de quatro etapas emocionantes – Austrália, Bahrein, China e Azerbaijão -, com resultados imprevisíveis antes da bandeirada final, apesar de a Ferrari ter o melhor carro, o mundo volta a assistir ao domínio da escuderia alemã, repetindo a monomarca que a F-1 se transformou de 2014 a 2017. Ótimo para a Mercedes, péssimo para o esporte.

Tomara que as ruas do Principado tragam novo ânimo para o campeonato.

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