Autos Giros | Uma aventura extrapesada

Daniel Jacques

Fala galera, tudo bem?

Na minha terceira coluna aqui neste espaço eu falei sobre a nova fábrica de caminhões que a Mercedes-Benz inaugurou naquela semana. Pois foi naquela viagem, em São Bernardo do Campo (SP), que eu recebi o convite para retornar à sede da marca no país para dirigir o extrapesado Actros.

É claro que eu achei interessante. Afinal, assumir a boleia de um caminhão em autódromo ou na pista de testes da fábrica não era nenhuma novidade. O que eu não sabia, porém, é que a ideia não era exatamente esta. Por isso, e como estamos falando de um veículo grande, peço licença para falar só disso hoje. Na semana que vem eu volto com as novidades.

Tá confortável aí? Posso dar a partida?

Antes, deixa eu contar uma coisa. Quando eu cheguei lá, o Actros 2651 topo de linha estava do lado de fora da fábrica. Ou seja, iríamos pegar a estrada. “Iríamos” porque, é claro, eu não iria sozinho. Meu professor e companheiro nesta viagem foi o caminhoneiro João Carlos Moita. Com mais de 50 anos de estrada, ele foi anunciado – depois da nossa viagem – Embaixador da Voz das Estradas da Mercedes-Benz do Brasil.

João Moita e Daniel Jacques prontos para começar a viagem. Foto: Divulgação

Mais do que um passeio de caminhão, a aventura sairia da sede da marca no país de manhã e só retornaríamos no final da tarde. O “destino” era a Estrada Velha de Santos, e a programação incluía direito a almoçar em um restaurante “de beira de estrada” como tantos caminhoneiros fazem por este Brasil afora.

Mas deixa eu falar um pouco do Actros. Pelo nome do modelo já dá para saber algumas coisas sobre ele: 2651 6×2 significa que ele tem peso bruto total (carreta + carroceria + carga) de 26 toneladas, motor de 510 cavalos e seis eixos, sendo dois deles com tração. Essas características fazem dele um caminhão rodoviário, para asfalto, e longas distâncias.

Ele tem um entre-eixos (assim como nos automóveis, é a distância entre o primeiro e o segundo par de rodas) de 3,6 metros e uma autonomia de 1.080 litros. Ah, e na nossa viagem ele iria carregado com 57 toneladas de carga (a diferença em relação aos “26” do modelo é “suportada” pela carroceria e seus eixos).

E a cabine? Ah.. a cabine…

Pra começar, ela tem 2,7 metros de altura entre o piso e o teto. O piso, aliás, é plano, o que possibilita que qualquer pessoa se desloque tranquilamente no seu interior. Com 2,4 metros de largura, o caminhão que nos levou nessa aventura contava com alguns opcionais que o tornavam ainda mais interessante. A principal era a cama, posicionada atrás dos bancos, onde qualquer pessoa pode dormir com conforto. Eu imagino que muita gente pode pensar na espessura daqueles sacos de dormir, mas não é o caso.

Chegamos à Estrada Velha de Santos, e foi aí que eu assumi o volante. O trecho – sem saída – quase não tem trânsito e foi por pouco tempo…

Logo depois paramos no Restaurante Flutuante Netuno, já de volta a São Bernardo do Campo, para almoçar.

Tá tudo muito bom, mas ainda é um caminhão, lembra? Podia ser um bom apartamento, mas é um caminhão.

Ele traz, por exemplo, o novo banco, lançado em março do ano passado, que conta com 12 ajustes diferentes entre encosto, altura, inclinação do assento, amortecedor e amortecimento horizontal. O sistema de som conta com rádio FM, AM, MP3 e WMA, USB e entrada auxiliar. O volante, com regulagem de altura e profundidade, é multifuncional e traz os controles do telefone, computador de bordo e do próprio som. E há ainda o cinto de segurança integrado ao próprio banco, o que também diminui o desconforto.

Como se faltasse alguma coisa, o “brinquedo” ainda avisa o motorista sobre qualquer possível problema – desde o nível do óleo, algum problema elétrico ou mecânico – e se houver qualquer problema que demande uma revisão ou conserto. O sistema localiza o caminhão e indica a concessionária Mercedes-Benz mais próxima.

Outra coisa sensacional são os sistemas auxiliares de frenagem. Primeiro o assistente ativo, que “enxerga” qualquer obstáculo à frente que esteja a 150 metros ou menos. A partir daí ele coloca o caminhão na mesma velocidade do veículo da frente, até parar. E pode ser desde outro caminhão, automóvel, moto ou, como aconteceu durante a vigem, uma bicicleta a prosaicos 20 km/h.

Um dia de pé na estrada com o extrapesado da Mercedes-Benz. Foto: João Moita

Outro sistema interessante é o Retarder. Em cinco níveis de auxílio de frenagem ele adiciona, junto com o freio motor, até 1200 Nm de torque à frenagem. Com ele é possível dirigir o caminhão sem pisar no freio. O próprio João Moita me contou que já fez viagens longas, como de São Paulo ao Rio, utilizando o Retarder e o assistente ativo sem pisar no freio uma única vez. Mas isso, claro, não diminui em nada a importância da atenção total do motorista à estrada.

A aventura foi muito boa, mas acabou. Para mim foi um dia muito especial, de muito aprendizado e conhecimento. Uma pequena vivência, em um curtíssimo tempo, do que tantos caminhoneiros vivem no seu dia a dia.

Não posso fechar a coluna desta semana sem cumprimentar meu novo amigo João Moita pelo novo cargo de “Embaixador da Voz das Estradas” Mercedes-Benz. Parabéns, você merece!

E a você, leitor da coluna Autos Giros, um abraço e até a semana que vem!

Deixe uma resposta