A produção de motos reage finalmente

Por Vandré Kramer
vandre.kramer@uol.com.br

A reação finalmente chegou ao segmento de motos. No primeiro trimestre, as fabricantes produziram 259,5 mil unidades, 12,2% a mais do que no mesmo período de 2017, aponta a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

As vendas no atacado (fabricantes-concessionárias) se expandiram em um ritmo menor: 8,4%, atingindo 234 mil unidades. Os maiores crescimentos foram nas categorias scooter (31,9%) e naked (22,5%). As duas, entretanto, respondem por 7,5% das vendas. Nos principais segmentos (street e trail), que correspondem a quase três quartos dos negócios, a expansão foi, respectivamente, de 7,2% e 8,5%.

A recuperação é muito mais tímida no varejo (concessionárias-consumidor): nos três primeiros meses do ano, as vendas foram 4% maiores do que nos mesmos meses de 2017. Ela também não é uniforme em todo o país. No Norte, elas permaneceram estáveis, e no Nordeste, elas continuam caindo (-5,1%).

As vendas à vista e por meio de consórcio cresceram mais de 10%, enquanto as vendas à prazo encolheram 7,5%. A dificuldade na obtenção de financiamento foi um dos fatores que inibiu os negócios no ano passado. A expectativa, entretanto, é de recuperação ao longo do ano por causa da tendência de queda na taxa de juro.

Assim como na indústria de automóveis, as fabricantes de motocicletas vêm tendo um bom desempenho no front externo. As exportações, no primeiro trimestre, foram de 23,4 mil unidades, 33,6% a mais do que nos mesmos meses de 2017. O mercado externo continua sendo uma boa alternativa para escoar a produção local.

A expectativa é de uma queda no ritmo de crescimento nas vendas externas ao longo do ano. A Abraciclo estima que até dezembro sejam vendidas 85 mil unidades fora do país, 3,9% a mais do que no ano passado. Em relação à produção total, a projeção é de uma produção de 935 mil unidades, o que garantiria um crescimento de 5,9%.


Vandré Kramer é jornalista, com formação em economia e pós-graduação em mercado financeiro. Trabalhou por mais de 20 anos cobrindo a área econômica para jornais de Santa Catarina (SC).

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