Carrocerias mais seguras e materiais de alta resistência

O desenvolvimento de carrocerias automotivas mais seguras é um assunto que tem sido tema de debates no país, envolvendo apresentações de grandes marcas como General Motors, Honda, Ford e PSA Peugeot Citroën, além de participações de especialistas do setor, como engenheiros e designers.  Estruturas veiculares, materiais empregados e tecnologias avançadas que se direcionam à segurança veicular são suportes que têm evoluído nas plantas de produção para que o produto final garanta de forma ainda mais completa a integridade do condutor do carro.

Recentemente, o Simpósio SAE Brasil CarBody 2017 discutiu o assunto em sua 4ª edição do evento na sede do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo. Segundo o chairpeson do evento, Ed Taiss, a segurança veicular ainda é tratada pelo consumidor brasileiro com relativa superficialidade, que a vincula principalmente aos acessórios de segurança, sem relacioná-la diretamente à estrutura do veículo. “Discutimos aqui os avanços dessa indústria, assim como as tendências, os investimentos em inovação, processos e mesmo entraves que dificultam ao mercado brasileiro ter uma percepção mais ampla sobre a segurança dos carros que dirigem diariamente”, enfatizou Taiss.

O design é uma das ferramentas que mais contribui para a expansão da segurança veicular na indústria brasileira. A opinião é de Peter Fassbender, head Latam do Centro de Design da FCA (Fiat Chrysler Automobiles), responsável por projetos como o Fiat Mio, iniciativa pioneira com base 100% ideation open source. Ele considera que a aproximação consistente entre estética e engenharia possibilita ofertar produtos mais dinâmicos, arrojados, sem perder de vista a segurança. “As expertises decorrentes do projeto Mio, realizado entre 2009 e 2011, são utilizadas até hoje. Estão presentes, por exemplo, no modelo Argo, lançado recentemente, cuja geração tem uma das proporções mais adequadas disponíveis na atualidade”, citou. Para Fassbender, quanto mais alinhada a relação entre os designers e engenheiros, maior a probabilidade de a estrutura de segurança dos carros brasileiros avançar, principalmente no que diz respeito à concepção de suas carrocerias.

A PSA Peugeot Citroën e a Ford aproveitaram o simpósio para detalhar seus lançamentos e mostrar o desenvolvimento de estruturas reforçadas. Thomas Beaugrand, coordenador de produto da PSA Peugeot Citroën, disse que a montadora passa a enfrentar um novo desafio no mercado brasileiro com o lançamento dos utilitários de carga Peugeot Expert III e Citroën Jump. Em razão da limitação da capacidade produtiva de suas plantas no Brasil e na Argentina, a PSA decidiu viabilizar a fabricação dos novos modelos por meio de parceria firmada com a uruguaia Nordex/Easa, que montará as peças fabricadas na Europa. A capacidade de produção inicial é de 6 mil unidades ao ano.

O executivo destacou os detalhes do veículo como a suspensão traseira que suporta até 1,5 mil kg, além dos investimentos em segurança, com o uso de laminados em ar quente e a adoção de altos padrões de rigidez estrutural. Outra novidade é o sistema operacional para controlar a modularidade em função do comprimento do crash box transversal. “Também foram feitos reforços nos testes de choques em alta velocidade, impactos de cabeça e envolvendo pedestres, tudo para ampliar a segurança do motorista”, explicou Beaugrand.

Luís Gustavo Zamorano, gerente-geral de estruturas da Ford América do Sul, disse que a nova versão do EcoSport ratifica o projeto iniciado em 2003 como um dos mais relevantes da montadora. “Já foram vendidas 520 mil unidades e os testes de durabilidade acumularam 607 mil quilômetros”, destacou. “O projeto Ecosport mudou a história da Ford no Brasil, até porque se trata de uma iniciativa de engenheiros brasileiros que, posteriormente, passou a contar com profissionais de várias nacionalidades”, relatou. Zamorano especificou que o suporte do desenvolvimento de todo o projeto foi conduzido por simulações virtuais, que proporcionam mais eficiência, além de validação física e rígidos princípios de segurança e conforto. “Temos sete airbags e uma uma estrutura de carroceria mais robusta e segura”, arrematou.

O gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Honda, André Ramos, apresentou o Civic Geração 10, o carro mais comercializado da marca no mundo inteiro. Ele salientou que a versão atualmente está mais baixa, larga e com linhas fluídas. Outro destaque foi a redução de 22% no peso. “Com o uso de materiais de alta resistência na carroceria, conseguimos deixá-lo mais leve e, ao mesmo tempo, aumentar a rigidez da estrutura em 25%”, informou.

E os gestores da indústria automotiva estão focados na necessidade de repensar a cadeia de investimentos para melhorar a eficiência dos dispositivos e plataformas de segurança de cada modelo lançado no mercado. Nesta semana, o debate também propõe a escolha dos materiais orientada pela eficiência da aplicação com foco em redução de peso e melhoria de segurança. A discussão ocorre dessa vez em Belo Horizonte (MG). O encontro receberá especialistas, aplicadores e fornecedores, que irão ministrar palestras sobre novas aplicações, como alumínio e aço de alta resistência para componentes automotivos estruturais.

Aposta-se dessa forma que esse direcionamento dos fabricantes de automóveis contribua ainda mais para propostas responsáveis e articuladas com as necessidades mais exigentes do mercado, e que sejam acompanhadas de legislações severas no sentido de assegurar a proteção de quem está ao volante, e que não pode esperar.

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Rosangela Groff é jornalista e atua há mais de 10 anos na área automotiva. É editora do caderno Carros & Motos do jornal Correio do Povo, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul, com mais de 120 anos de existência. Também edita conteúdo impresso e on-line no segmento de autopeças para entidades do setor.

A coluna Auto Performance é veiculada todas as quartas-feiras e aborda os mais diversos temas do setor, desde as estratégias de mercado das marcas até as novas  tecnologias que equipam os veículos.

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