Quais carros vão ficar para a posteridade? Um exercício de futurologia

Por Cecília França

Rural Wyllis, Fusca, Opala. Maverick, Puma, Galaxie. O que todos estes veículos têm em comum? São clássicos da indústria automotiva, objetos de desejo dos antigomobilistas, razão da existência de vários fã-clubes e associações pelo País. O antigomobilismo ganhou bastante visibilidade recentemente com a promoção de encontros e feiras onde essas raridades se encontram. Partindo do princípio de que esta paixão não vai diminuir, pensamos em como serão esses encontros daqui a 30, 40, 50 anos.

Quais carros atuais têm força suficiente para sobreviver ao desgaste do tempo e tornarem-se clássicos? Será que nossos filhos e netos se inscreverão no “Clube do up!”, na “Associação do Civic”, ou no “Entusiastas do Renegade”?

Primeiro, vejamos quais as características comuns à maioria dos clássicos: desing arrojado, introdução de novas tecnologias, uso de materiais de qualidade. Em alguns casos, raridade também, mas não é regra, ou o Fusca teria caído no esquecimento. Excentricidade também surge em alguns casos. Então, vamos às nossas previsões.

Volkswagen up!

Podem espernear, dizer que é feio, que não vende, mas o up! trouxe ao menos uma inovação para o mercado: o primeiro motor 1.0 três cilindros fabricado no Brasil. Na versão TSI, o motor ganhou inéditos turbocompressor e injeção direta de combustível. O compacto deve entrar para a história para demonstrar como a nossa geração já se preocupava em produzir veículos mais econômicos e menos poluentes.

Jeep Renegade Trailhawk

O Renegade chegou ao Brasil em 2015 vendido como um resgate do DNA da marca Jeep, que fez história no País. De início, decepcionou nas versões flex 1.8, mas faz bonito nas versões diesel, quando, realmente, torna-se um explorador do calibre de seus ancestrais. O design e as cores ousadas também são pontos a favor do jipinho na escala de posteridade.

Fiat Strada com terceira porta

Consigo visualizar os futuros antigomobilistas, reunidos em um encontro de colecionadores de picapes do passado, impressionados com a abertura nada convencional da terceira porta da picape compacta mais vendida do País atualmente. Longe de acomodar com conforto dois adultos atrás, a porta estilo “suicida” da Strada é, no entanto, uma solução prática para facilitar o acesso aos bancos traseiros.

Honda Civic geração 10

O sedã da Honda lançado em 2016 entra na nossa lista pela beleza, especialmente pelas lanternas traseiras de LED em formato de bumerangue. Ousamos dizer que ele entrará para a história na versão branca, quando as luzes se destacam. Na versão Touring, os faróis dianteiros também são de LED e à noite o conjunto fica admirável. O modelo também estreou o freio de mão elétrico.

Golf Variant

O Golf é sucesso em todo o mundo e sua versão “perua”, uma resistente no mercado atual brasileiro, povoado por SUVs. A station wagon mantém a dirigilidade e até a esportividade do irmão hatch, aliadas a espaço interno e porta-malas tamanho família. Pelo conjunto da obra, será um dos “grandões” a serem lembrados no futuro.

BMW i3

O primeiro veículo elétrico vendido no varejo brasileiro deve ser admirado pelos nossos filhos e netos justamente por ser o precursor desta tecnologia que, certamente, será banal no futuro. O design, considerado futurista por nós, talvez soe defasado, assim como a autonomia de 180 km, em média. Eles olharão para ela como a gente, hoje, para um Mustang beberrão, que faz 4, 5 km com um litro de gasolina.

E para você, qual carro merece ser adorado no futuro? Comente aí embaixo!

Contudo…

Após todo esse exercício nos atentamos para um detalhe nada pequeno: daqui a 30, 40, 50 anos não teremos mais gasolina! Pelas previsões das montadoras, em 20 anos grande parte da nossa frota já será elétrica. E daí, como vão rodar todos esses clássicos a combustão? Eles sobreviverão nas mãos de alguns aficcionados que darão um jeito de conseguir combustível ou virarão peças de museu? Esta questão vale outro exercício de futurologia.


Cecília França. Paranaense, jornalista formada há 12 anos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Iniciou na cobertura do setor automotivo há quatro anos, no jornal diário Folha de Londrina. Atualmente é freelancer e colunista do Autos Giros.


*A coluna Autos Papos teve seu nome alterado para AutoMobilidade em 08/02/2018

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