A reação do segmento de caminhões

Por Vandré Kramer
vandre.kramer@uol.com.br

O mercado de caminhões está reagindo e um termômetro desta reação poderá ser vista nesta semana no 21º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas (Fenatran), que acontece nesta semana, em São Paulo. A produção cresceu 27,3% nos nove primeiros meses do ano em comparação a igual período de 2016. Foram 46,4 mil unidades, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Os destaques foram a forte expansão na produção de veículos médios (+79,9%), pesados (+41%) e semipesados (+33,9%). O ritmo de produção de CKDs  (veículos desmontados) também vem com força. Embora menos relevante, este ano já foram fabricadas 4,9 mil unidades, 14,7% a mais do que em todo o ano passado.

Contudo, essa reação se dá mais em função do mercado externo do que do interno. Os licenciamentos de caminhões caíram 9 % nos nove primeiros meses do ano, em comparação à mesma época de 2016. Foram registradas 38,9 mil unidades, aponta o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

O único segmento em que há expansão no mercado interno é o de pesados. Foram licenciadas 11,9 mil unidades neste ano, 5,8% a mais do que nos mesmos meses de 2016. Os destaques foram a Scania, com uma expansão de 14,5% , e a Mercedes-Benz, 11,1%.

As exportações vão de vento em popa. Foram vendidas 21,4 mil unidades no exterior entre janeiro e setembro, 40,9% a mais do que no mesmo período de 2016. O segmento de caminhões médios mais do que dobrou os negócios em relação ao ano passado, mas ainda são um segmento menos representativo no total das vendas: 1,4 mil unidades.

O grande destaque foi a inversão de posições entre os segmentos de pesados e semipesados nas exportações. Estes são os novos lideres, tendo vendido 8 mil unidades, 89,6% a mais do que no mesmo período de 2016.

Apesar de os negócios no exterior irem bem, há uma ressalva a ser feita: a grande maioria dos negócios se restringe à Argentina. O lado positivo é que as perspectivas para os “Hermanos” são amplamente favoráveis: crescimento anual do PIB de 2,5% nos próximos dois anos, subindo para 3% a partir de 2018, segundo o Fundo Monetário Internacional. O mercado argentino, contudo, equivale a aproximadamente um quinto do brasileiro, de acordo com levantamento feito pela “The Economist”.


Vandré Kramer é jornalista, com formação em economia e pós-graduação em mercado financeiro. Trabalhou por mais de 20 anos cobrindo a área econômica para jornais de Santa Catarina (SC).

Deixe uma resposta