Na F-1, filho de peixe, peixinho não é…

Por Antonio Munró Filho

Depois da vitória do holandês Max Verstappen no GP da Malásia, realizado no último domingo, ficou mais claro do que nunca que na F-1, o provérbio filho de peixe, peixinho é, não se confirma! No caso de Max, a lógica é perversamente inversa, pois o filho apresenta todos os atributos dignos de um futuro campeão, enquanto o velho Jos nunca teve sequer uma faísca de talento para tanto. Aliás, a única centelha de faísca na carreira de Jos resultou numa tremenda labareda nos boxes do GP da Alemanha, em 1994. É justamente por causa dela que ele é lembrado até hoje…

Já os genes de talento de grandes sobrenomes do passado não chegaram aos herdeiros. As dinastias Hill, Fittipaldi, Villeneuve, Piquet, Rosberg, Prost, Senna e Mansell não se consumaram. Ok, alguns poderão argumentar que as famílias Hill e Rosberg têm pais e filhos campeões do mundo e os Villeneuve só não tiveram mesmo destino porque o patriarca, Gilles, morreu antes de levantar o grande caneco!

Convenhamos! Damon Hill venceu a temporada de 1996 devido a qualidade do conjunto Williams Renault! Era e sempre foi um piloto mediano. Os competentes Keke e Nico Rosberg foram campeões, mas nunca empolgaram! Aliás, Rosberg deve significar “regularidade” em finlandês! Brincadeiras à parte, os Villeneuve, ao contrário, deram ao mundo dois pilotos combativos e polêmicos. O pai morreu em decorrência de um acidente estúpido durante os treinos do GP da Bélgica de 1982; o filho sumiu após ter sido campeão em 1997 e só foi notícia graças a sua língua venenosa, que detonava a tudo e a todos…

A “Santíssima Trindade” brasileira (Fittipaldi, Piquet e Senna) nunca transferiu o talento que consagrou Emerson, Nelson e Ayrton aos herdeiros… Christian (Fittipaldi), Nelsinho (Piquet) e Bruno (Senna) nem chegaram perto dos feitos de seus respectivos antepassados e, ao que tudo indica, chegaram à categoria máxima do automobilismo mundial por ostentarem os sobrenomes poderosos! Todos têm seu valor como piloto, claro, mas é injustiça (e até mesmo covardia) compará-los aos tios e ao pai…

A genialidade de Alain Prost e a combatividade de Nigel Mansell deram volta nos filhos retardatários. Só uma má distribuição de talento, concentrada nos pais, para explicar o fracasso dos rebentos! Como os meninos nem chegaram à F-1 é melhor nem mencioná-los para não ofender a história gloriosa dos pais…

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