General Motors avança na produção e busca competitividade no Mercosul

Na semana passada, conversei com o diretor de Comunicação Corporativa e Marca da GM Mercosul, Nelson Silveira, quando do anúncio de investimentos da General Motors no Complexo Industrial de Gravataí, no Rio Grande do Sul, no valor de R$ 1,4 bilhão. O montante faz parte do maior plano de investimentos da história da indústria automotiva, segundo Silveira, de um total de R$ 13 bilhões para o período de 2014 a 2020.

“A primeira parte desse montante (R$ 6,5 bilhões) foi aplicada na renovação de todo o portfólio da Chevrolet no Brasil, que foi completada no ano passado com o lançamento de 12 produtos, e, obviamente, continuamos a investir na modernização das fábricas. Isso é um processo constante”, assinalou. A segunda metade dos investimentos é direcionada ao desenvolvimento e a produção de uma nova família de veículos que serão vendidos para o Brasil e exportados para o mundo todo, informou o executivo.

De acordo com Silveira, apesar de toda a crise e de todos os desafios enfrentados na economia brasileira nos últimos anos, a Chevrolet não parou de investir. Manteve todo o plano previsto de investimento. “Não mexemos em nada. Além dos investimentos em novos modelos, investimos muito em tecnologia. Tecnologias relacionadas à eficiência energética”, indicou.

“Hoje os nossos produtos estão entre os mais eficientes do Brasil. Todos os produtos são os mais econômicos ou estão entre os mais econômicos do mercado em todos os segmentos, com nota verde do Conpet. E além disso temos as tecnologias de conectividade. Trouxemos o MyLink para toda a linha Chevrolet. Já estamos na segunda geração, compatível com o Android Auto e Apple CarPlay. Recentemente anunciamos o Onix como carro parceiro do Waze no Brasil. O Waze pode ser acessado na tela onde se pode mudar as configurações e interagir com o aplicativo”, explicou. “Também já lançamos o OnStar, que é um sistema de telemática exclusivo da GM, um produto de conectividade total, o mais complexo existente em todo o mercado global”, frisou.

“E isso tem sido um grande diferencial. A eficiência energética, os novos produtos e toda a conectividade têm levado o consumidor brasileiro a preferir a nossa marca”, reforçou Silveira. Conforme ele, a Chevrolet, pelo segundo ano consecutivo, é líder absoluta do mercado brasileiro. Nós temos uma diferença de 4 pontos percentuais de share para o segundo colocado. E o Onix é o carro mais vendido do país pelo terceiro ano consecutivo”, identificou.

O diretor de Comunicação da GM esclareceu que a segunda parte dos investimentos da Chevrolet será para os veículos novos que chegarão ao mercado a partir de 2020, inclusive no complexo de Gravataí, que é não só a maior fábrica da montadora na América do Sul, mas no Hemisfério Sul. “É a fábrica mais sofisticada no mundo em termos de sistemas de manufatura que agora receberá ainda mais investimentos, tornando a unidade industrial não só com mais tecnologia embarcada no veículo mas com tecnologia de manufatura”, destacou. “A fábrica de Gravataí é extremamente moderna, uma referência global em manufatura”, completou.

Em relação ao programa Rota 2030, para Silveira, é importante que se defina metas e planos de longo prazo. “Esta é uma indústria de longo prazo. É necessário saber das novas regras de mercado para poder realizar os investimentos com segurança. E a gente vê como muito importante a integração com o Mercosul. Há hoje uma disposição muito grande entre os governos do Brasil e da Argentina de discutir a harmonização de regulações do setor, e, assim, a gente tem uma oportunidade de criar uma base de exportação no Mercosul”, salientou.

Mas para isso, o executivo afirma que é preciso melhorar a competitividade. “Temos muitos fatores estruturais hoje que limitam isso. Um deles é exatamente a falta de uma harmonia entre as regras no Brasil e na Argentina. Quando você produz um Onix na fábrica de Gravataí, é fabricado um Onix para o Brasil e um Onix diferente para a Argentina porque a regulamentação de emissões é diferente, a de segurança é diferente, enfim, há várias leis que conflitam, que têm diferenças. Então é preciso fazer carros diferentes, e isso aumenta a complexidade, o custo. Então é muito importante esse movimento entre governos para termos regras para um carro único. O mesmo carro vendido aqui e na Argentina faz com que a gente ganhe em competitividade”, analisou.

“Esse é um mercado gigantesco. Se voltarmos atrás, antes da crise, estamos falando de um mercado de 4 milhões no Brasil e 1 milhão na Argentina. É o mercado maior do que o Japão. É o terceiro maior mercado do mundo”, citou. “Se a gente consegue avançar e ter uma harmonização das regras para a indústria do Mercosul, vamos conseguir junto com a reforma trabalhista, que já foi aprovada, que vai ajudar muito para reduzir custos laborais, e ainda com a reforma tributária e a reforma da previdência, a melhorar a competitividade da indústria na região e conseguir efetivamente estabelecer uma base de produção não só para o mercado local mas também para a exportação”, finalizou o executivo.


Rosangela Groff é jornalista e atua há mais de 10 anos na área automotiva. É editora do caderno Carros & Motos do jornal Correio do Povo, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul, com mais de 120 anos de existência. Também edita conteúdo impresso e on-line no segmento de autopeças para entidades do setor.

A coluna Auto Performance é veiculada todas as sextas-feiras e aborda os mais diversos temas do setor, desde as estratégias de mercado das marcas até as novas  tecnologias que equipam os veículos.

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