Controle Eletrônico de Estabilidade, segurança na fila de espera

É incontestável a eficiência do Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC – Electronic Stability Control) em relação à segurança veicular, reduzindo riscos de acidentes e até de mortes dos ocupantes dos carros. E a necessidade de este sistema, responsável por ativar os freios em uma ou mais rodas quando reconhece situação de risco ou perda de aderência, estar presente, o quanto antes, nos veículos da frota brasileira é verdadeiramente urgente, embora o próprio proprietário do carro, muitas vezes, não se dê conta disso. No fim do túnel, está a obrigatoriedade do ESC em novos modelos a partir de 1º de janeiro de 2020 e em todos os modelos de montadoras e importadoras a partir de 1º de janeiro de 2022. Pela frente, mais dois anos e meio de espera.

E o prazo para veículos comerciais, ônibus, reboques e semi-reboques é ainda mais longo: 2024. No entanto, há barreiras técnicas à implementação do sistema, o que deve ser discutido no 13º Colloquium Internacional SAE Brasil de Freios & Mostra de Engenharia, que será realizado em Caxias do Sul (RS) nos dias 24 e 25 de maio. “Será um grande desafio técnico desenvolver o sistema nos prazos que foram dados pela resolução do Contran 641/16 em função das especificidades dos produtos, que dispõem dos mais variados tipos de implementos e contam com diferentes condições de carregamento na comparação com os veículos europeus e norte-americanos”, considera o engenheiro César Augusto Ferreira, chairperson do evento.

Outra entidade envolvida com o assunto é a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), que fez um estudo de implantação do sistema eletrônico de estabilidade, envolvendo  48 engenheiros e técnicos automotivos, em 2015. O trabalho foi apresentado ao Denatran, culminando com a publicação da resolução do Conselho Nacional de Trânsito 567/15 de obrigatoriedade do uso do sistema nos veículos leves saídos de fábrica, nacionais e importados.

“A AEA colaborou de forma efetiva na elaboração dos requisitos e procedimentos técnicos deste dispositivo”, informou o presidente da Associação, Edson Orikassa. Segundo ele, a entidade está participando ativamente da discussão com focal técnico. Orikassa também destacou que o equipamento é muito importante à segurança do veículo, mas que a AEA entende que existe uma competição de preços que dificulta a expansão do sistema na categoria “populares”. A Associação, de acordo com o dirigente, também vem estudando os novos sistemas, seguindo prioridades definidas principalmente pelos órgãos regulamentadores.

Conforme Orikassa, que é gerente de área na Toyota do Brasil, a grande vantagem do controle eletrônico é a rápida estabilidade do veículo em casos de manobras emergenciais. “O sistema verifica se a direção do veículo está de acordo ou não com o comando do volante. A potência do motor é reduzida e os freios atuam para estabilizar ou alinhar o veículo de forma automática”, descreve.

O sistema atua em situações críticas de condução como em uma superfície molhada, suja ou escorregadia, uma curva fechada repentina, um obstáculo que force uma reação evasiva que podem provocar a perda de controle do veículo. O ESC pode detectar essa situação de forma antecipada e, dentro dos limites físicos, estabilizar o veículo, evitando derrapagens laterais capotamentos e tombamentos.


Rosangela Groff é jornalista e atua há mais de 10 anos na área automotiva. É editora do caderno Carros & Motos do jornal Correio do Povo, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul, com mais de 120 anos de existência. Também edita conteúdo impresso e on-line no segmento de autopeças para entidades do setor.

A coluna Auto Performance é veiculada todas as sextas-feiras e aborda os mais diversos temas do setor, desde as estratégias de mercado das marcas até as novas  tecnologias que equipam os veículos.

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