Como tudo começou!

Por Antonio Munró Filho

Ano: 1987. Ainda dos “boxes”, toda a “equipe” se reunia ao redor de um monitor de TV, muitas vezes deslocado de algum outro ponto da “garagem”, para vibrar com mais uma vitória brasileira na pista. Com orgulho, o “time” via a bandeira nacional tremular no degrau mais alto do pódio. Terminada a transmissão, todos deixavam a graxa de lado para se sujarem com o carvão que aquecia os “motores” da churrasqueira lá do quintal de casa. Entre uma garfada e outra, a “chefia” se reunia à mesa para debater os acontecimentos da pista. Encerrada a jornada dominical, todos ansiavam pelo próximo encontro dali quinze dias.

Nelson Piquet (no canto direito da foto ao lado) dominou aquele ano com seu incrível Williams amarelo e azul, que eu tanto admirava. A então promessa Ayrton Senna também beliscou algumas vitórias e pódios com sua Lotus amarela. Isso sem falar em coadjuvantes de primeiríssima linha como o carismático Nigel Mansell, o Leão bigodudo (duelando com Piquet), e o francês narigudo Alain Prost. Outros nomes como Thierry Boutsen, Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Gerhard Berger, Andrea De Cesaris, Satoru Nakajima (joga no Google aí, caro, leitor), compunham os grids de largada daqueles tempos.

Foi num ambiente assim, cercado de fanáticos por corridas de carros e com o “elenco” acima, que vivi boa parte da minha infância interiorana. O meu “Williams” era a minha bicicleta, toda prateada com pneus incrivelmente amarelos. No pátio de casa, eu desenhava traçados ousados e ali, na minha imaginação, voava com minha magrela. Às vezes ganhava, às vezes chegava em segundo e, em algumas, ficava no terceiro degrau da escada, que me remetia a toda glória de um pódio. Era presença certa no pódio, composto por quatro degraus que ligavam o pátio à área de serviço da casa! Foi num mundo assim, casa cheia de amigos, repleto de imaginação e sonhos infantis que vi dois super-heróis brasileiros conquistando pontos, vitórias e títulos mundiais. Não tinha como escapar do meu destino: um profundo amante das corridas de carro!

Tornei-me jornalista e, no início da carreira, circulei pelo “paddock” de Tarumã em coberturas de corridas para o jornal Zero Hora. Cheguei a ser sócio, com outros colegas, do Final Lap, um portal especializado em notícias do mundo da velocidade. Depois, migrei para outras áreas do jornalismo, mas, mesmo da “arquibancada”, mantive a paixão pela Fórmula-1.  Agora, regresso às “pistas” mais experiente, leve e descontraído para “abastecer” quinzenalmente a coluna Final Lap!

 

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