Os contrastes da indústria automobilística: mercado interno x externo

Por Vandré Kramer
vandre.kramer@uol.com.br

Dois contrastes estão marcando a indústria automobilística neste ano: o mercado interno ainda retraído e as exportações crescendo com vigor. Os primeiros dados do primeiro bimestre foram divulgados na semana passada pela Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave): as vendas nas concessionárias caíram 14,88% nos dois primeiros meses de 2017 em comparação ao mesmo período de 2016.

As exportações registram um forte crescimento. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Indústria, os negócios envolvendo veículos de carga aumentaram 59,6% no comparativo entre os dois primeiros meses de 2016 e 2017; os de passageiros, 30,1% e os de máquinas para terraplanagem, 16,6%.

O mercado interno sente os reflexos de mais de dois anos seguidos de crise. O único segmento que dá sinais de reação é o de comerciais leves, no qual as vendas cresceram 11,67% no primeiro bimestre. O mercado é liderado pela Fiat, com 38,25% de participação.

O segmento mais relevante – o de automóveis – teve queda de 7,96%. Foram vendidas 233,8 mil unidades entre janeiro e fevereiro. Hatchs pequenos, SUVs e modelos de entrada tem ganhado participação no mercado em relação ao ano passado. Os três subsegmentos respondem por sete em cada dez vendas de automóveis de passageiros.

A expectativa é que os negócios melhorem ao longo do ano, seguindo a recuperação da atividade econômica. A demanda por crédito, vital para a indústria automotiva, está crescendo. Segundo a Serasa Experian, em janeiro houve uma alta de 0,5% para os consumidores e 6,2% para as empresas.

No mercado externo, os sinais são bem promissores. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta o envio de 558 mil unidades para o exterior, 7,2% a mais do verificado em 2016.

As montadoras estão de olhos bem abertos para os negócios fora do Brasil. Um dos fatores em análise é o comportamento do presidente americano, Donald Trump, em relação à indústria automotiva. Ele quer que mais montadoras invistam nos Estados Unidos e ameaça em sair do Nafta, o que possibilitaria a criação de oportunidades de negócios no México

Entre as empresas, Renault deve contratar 700 pessoas na unidade de São José dos Pinhais (PR), para um possível aumento de produção em função das exportações do Captur. A Volvo tem um pacote de investimentos de R$ 1 bilhão para a América Latina, 90% dos quais iriam para a unidade de Curitiba (PR). A BMW, de Araquari, confirmou a exportação adicional de 2.000 unidades do modelo X1 para os países da América Latina.


Vandré Kramer é jornalista, com formação em economia e pós-graduação em mercado financeiro. Trabalhou por mais de 20 anos cobrindo a área econômica para jornais de Santa Catarina (SC).

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