Mercado custando a retomar

Por Leonardo Andrade
redacao@transportabrasil.com.br

Os números não são animadores ainda. A edição da Carta da Anfavea de março traz os números fechados do primeiro bimestre e, no total de caminhões, existe uma queda de 32,2% nos licenciamentos totais em fevereiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos ônibus a queda foi ainda maior, de 38%.

Mas, por que o mercado ainda não está reagindo em 2017, com a indústria de caminhões e ônibus esboçando números ainda piores do que no ano passado, ano tido como o auge (ou vale) da crise?

Isso está acontecendo porque o transporte é uma atividade com um equilíbrio financeiro muito frágil. Uma atividade hiper-regulamentada, que carece de incentivos governamentais, que é operada por empresas com pouco caixa, empresas que estão lutando contra passivos trabalhistas, guerras fiscais, barreiras, roubo de cargas, e tantos outros problemas.

O transporte de cargas, principalmente, no Brasil, é o próprio retrato de como a crise afetou profundamente as empresas nacionais, encolhendo mercados, fechando postos de trabalho e levando empresas a fechar suas portas.

O próprio levantamento da associação que representa as transportadoras, a NTC&Logística, mostra que 84% das empresas de transporte brasileiras admitem quebra de faturamento em 2016. Mais da metade da frota das empresas, 52,8%, ficou parada nos pátios das transportadoras em 2016, com defasagem nos fretes beirando os 20%.

É um cenário difícil, que está sendo contornado pela maioria das empresas, que já começaram a diversificar seus negócios e dar a volta por cima, mas o mercado de caminhões brasileiro precisa de mais. Precisa que as empresas voltem a faturar bem, precisa que os clientes tenham acesso ao crédito e, principalmente, que exista no Brasil uma política séria e sólida de renovação de frota. Uma nacional, que funcione. Porque tivemos alguns exemplos de programas que não decolaram.

O debate da renovação de frota é crucial e precisa voltar ao foco. Seguimos em frente!

Até a próxima!


Leonardo Andrade é Editor-chefe do Portal Transporta Brasil.
Este texto é uma produção exclusiva para o Autos Giros

Leia mais

Transporta Brasil de volta: vida em movimento Leonardo Andrade Caros amigos leitores do portal Autos Giros, estamos de volta! Um espaço nobre e importante que nos é concedido para debater sobre o transporte, a vida em movimento. Estou muito feliz em voltar e já quero adiantar que, nesta coluna, a partir de hoje, teremos novidades e um jeitinho...
Na rota da soja goiana Por Leonardo Andrade redacao@transportabrasil.com.br Dá gosto ver uma plantação de soja, ou de milho, ou de qualquer produto que enriqueça o agronegócio brasileiro. O produtor nacional soube se modernizar, faz logística reversa, trata suas sementes, trabalha com eugenia, polêmicas à parte... To...
Transporta Brasil | Aquele “cara que fica at... Salve povo do Autos Giros, salve galera que curte a vida em movimento! O dia 25 de julho passou e a gente precisa tocar no assunto dos motoristas, mesmo com tooodas as homenagens clichês de quem só lembra deles nesse dia inundando as timelines das nossas redes sociais. Claro! Falar sobre os motor...
O que esperar da Fenatran 2017? Por Leonardo Andrade Sei que não é justo ficar dando spoiler de novidades do mercado, até porque o pessoal quer ver as novidades de perto, mas é certo que a Fenatran 2017 está chegando e que a realização da feira é um facho de luz em meio à treva que se instalou sobre o mercado de caminhões brasile...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *