O que passa pela cabeça de Lewis Hamilton?

Speed Mali - André Malinoski

Por André Malinoski

O britânico Lewis Hamilton corre de olho na dianteira, focado nos primeiros treinos em Barcelona e com um grilo falante pousado sobre o ombro. O inseto não dá trégua e cochicha: “Meu amigo, vamos acelerar juntos. O Tetra está logo ali”. Brincadeira à parte, o tricampeão mundial sabe que sem a presença de Nico Rosberg na Mercedes, o caminho pode estar um pouco mais fácil. A temporada de 2017 será uma oportunidade e tanto para o competidor conquistar o Mundial de Pilotos e entrar para o seleto grupo dos vencedores dos quatro canecos formado apenas pelo francês Alain Prost, gênio da técnica e antigo rival de Ayrton Senna, e pelo alemão Sebastian Vettel.

Imaginem o que passa pela cabeça de Hamilton? Com a saída de Rosberg do circo da Fórmula 1, a luta se anuncia diante de outro alemão. Mas será que Vettel tem cacife para repetir o desempenho de anos anteriores? Certamente, isso também ocupa espaço dentro do capacete de Hamilton. Particularmente, acho que Vettel tem condições de sobra para levar sua Ferrari ao lugar mais alto do pódio. Não custa lembrar que todos os títulos dele aconteceram pela Red Bull.

Se a cabeça de Hamilton é um turbilhão de expectativas pelas possibilidades na temporada, o amante da F-1 pode ficar alvissareiro em acompanhar corridas mais interessantes. As mudanças na categoria já deixaram os carros em média cinco segundos mais velozes em relação aos testes da pré-temporada anterior. A alegação do espanhol Fernando Alonso de que os pilotos têm cada vez menos importância na direção pode ao menos ser contestada. Cabe ao piloto pisar fundo e calcular riscos e ganhos. Velocidade é a matéria-prima da F-1.

Se Hamilton repetir o foco das últimas quatro provas de 2016, em que venceu todas, será o candidato ao título. Até a abertura no Grande Prêmio da Austrália, tudo ainda tem ares prematuros e circunda o campo da especulação. Menos para aquele agitado grilo falante, certo do triunfo e danado de otimista.

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