Mercado de usados começa bem o ano; importados, não

Por Vandré Kramer 
vandre.kramer@uol.com.br

O mercado de veículos usados estreou 2017 com um forte crescimento nas vendas: 15,33% em janeiro, comparativamente a igual período do ano passado, aponta a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O destaque foi a forte expansão no segmento de ônibus, que teve uma alta de 44,44%.

Os dois segmentos de maior movimento – o de autos e o de motos, que respondem por 86,5% do mercado de usados – tiveram boas altas: 16,44% e 11,91%. Esse ritmo forte é fruto da economia mais contida, que leva os consumidores a alternativas mais baratas na hora de pensar em trocar o carro.

Modelos populares ocupam o top 5 das vendas. A liderança entre os seminovos coube ao Gol, seguido do Palio e do Uno praticamente empatados. A relação é completada pelo Celta e pelo Corsa.

Nesse cenário de forte expansão – aliado ao discreto crescimento no licenciamento de carros novos: alta de 0,7% em janeiro comparativamente a igual período de 2016, de acordo com a Anfavea -, cresce a proporção de veículos usados negociados por novos emplacados. Em janeiro, foram 4,9 usados vendidos para cada zero quilômetro comercializado. Só para comparar, no início de 2016, essa proporção era de 3,6. E em 2015, 2,8.

A presença cada vez maior dos usados nos negócios envolvendo veículos está se refletindo na indústria de autopeças. Os negócios com as montadoras ainda predominam no faturamento. A participação do segmento de reposição vem ganhando força.

Em 2014, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipeças), os negócios respondiam por 16,7% das vendas. Para este ano, a expectativa é de que as vendas do segmento de reposição sejam de 22,1% do total.

Um segmento que não começou bem 2017 foi o de importados. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), em janeiro foram comercializadas 1.945 unidades, 41,7% a menos do que no mesmo período do ano passado.

Um dos fatores que afetam a venda dos importados é o desaquecimento do mercado brasileiro, que fechou 2016 com a segunda queda seguida no PIB. Outro é o contingenciamento causado pela política de quotas, limitadas a 4.800 unidades anuais, ou 400 mensais, o que acaba retirando a competitividade dos produtos estrangeiros.


Vandré Kramer é jornalista, com formação em economia e pós-graduação em mercado financeiro. Trabalhou por mais de 20 anos cobrindo a área econômica para jornais de Santa Catarina (SC).

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